segunda-feira, janeiro 08, 2007

Sangrento

Alguns filmes sangram. Outros, não. Sim, filmes como "A Madrugada dos Mortos" definitivamente são sangrentos, mas não sangram.

Ruanda sangrou. E "Abril Sangrento" também. O filme é um relato bastante realístico dos acontecimentos de 1994, embora ainda imerso num "quê" de ficção que deixa tudo mais dramático, já que aproxima os espectadores da trama e do sangue.

Um massacre e uma pergunta: "dessa vez, quem são os bonzinhos?". É, no filme, um representante americano solta essa numa reunião dos cabeções da ONU. De fato, é matança de africano por africano. Apontaram e apontam-se milhões de responsáveis, mas esse é um assunto que me cansa. Até porque a África não chegou lá sozinha. E o que é pior: teve e terá que sair de lá sozinha.

Fiquei imaginando por que é que eu nunca saberia nada disso se não visse o filme e se não googleasse "Ruanda". Malditos colégios eurocentristas! Juvenal Habyarimana é tão impotante quanto Francisco Ferdinando (sobre quem também se diz pouco, é verdade). Bom, pelo menos a luta contra a absoluta falta de conhecimento tem o Google como aliado. Esperem! Eu disse "absoluta", porque ignorância (como a minha e sobre a África em geral) não se resolve em alguns cliques.

4 comentários:

Helena Bertho Dias disse...

Day!
Eu quero ver esse filme, ma nao tneho hbo.. será que existe em locadoras blockbuster?!?! veremos....

Ah! e nao me deixa triste! Deixa eu continuar acreditano que uns cliques e tchurum! tenho conhecimento!>.<

Anônimo disse...

É impressionante como a gente não fica sabendo dessas barbaridades e finge que não existem. Recentemente vi filmes muito bons sobre a Armênia, vc sabe onde é isso, a chacina que foi lá no começo do século XX? E a África, nossa eterna ignorada. Depois de ler "Os C... de Judas" pro vestibular também dei uma googleada em "Angola" e fiquei pasmo com como um país que é nosso irmão teve tantos conflitos e foi ignorado. E os EUA com essa pose de guardiães da democracia só se mexem quando lhes interessa. Ok, ajudaram o Kosovo, a Bósnia, mas... e Ruanda? Timor Leste? Tenho que assistir esse filme, se conseguir achar (aqui nesse bairro que moro é sem chance...) Beijos, feliz 2007 e obrigado por comentar.

Anônimo disse...

Putz, o meu pc tá doido, postei anônimo sem querer, aqui e o zé do jornot... autor do comentário mega aí de cima :)

Anônimo disse...

Pois é...uma vida humana, de acordo com a sua nacionalidade, parece ter um peso diferente daquela de outra nacionalidade. Pense em quantas pessoas morreram no fatídico 11 de setembro e quantas morreram nos massacres entre tutsis e hutus, no Genocídio Armênio citado pelo Zé e até mesmo em Darfur, no Sudão, entre outros milhares de conflitos "menores", e o destaque dado a um e aos outros. O pior de tudo é ver um editor de inter do Estadão dizer para a gente que "se a África é tão importante assim, sugiram uma pauta sobre ela". Povos se exterminando não é pauta, só porque eles não inteferirão nos índices financeiros mundiais?