domingo, janeiro 20, 2008

Sobre chegar mesmo sem saber o caminho

Havia uma série de lendas sobre aquele lugar e, secretamente, todos desejavam ir para lá. Era bom e misterioso, diziam. Era preciso ter cuidado, também diziam.

Alice conhecia todas as lendas. Já tinha ouvido que era preciso entrar pelos portões do vilarejo misterioso a curtos passos, ou os pés seriam impedidos de entrar. Ouvira também que não poderia demonstrar ansiedade ou curiosidade, senão os moradores a puniriam. E ainda escutara que o lugar era mágico e belo, porém sua visitação traria consequências trágicas. Consequências essas que ninguém jamais explicara com mais palavras do que o simples "faz mal", também dirigido aos consumidores de suco de manga com leite.

E por, como todos, secretamente desejar a experiência, foi que Alice se inflou de coragem e seguiu na direção do vilarejo sem nem bem saber o caminho.

Ela chegou lá. Chegou. Chegou, voltou apenas para contar a história, e pra lá rumou de volta.

As lendas todas pareceram simplesmente destinadas a impedir que todos, como ela, se fizessem satisfeitos do desejo secreto. O vilarejo era simples e belo, não-mágico, porém perfeito. Foi lá que Alice conheceu o homem de lata, e o espantalho, e o leão, e o fazedor de biscoitos, todos num só. É lá que ela vive há três meses.

Um comentário:

Rafael Kato disse...

E o homem biscoito, o espantalho, o leão e o homem-de lata, que na verdade eram um homem só entendia Alice (ou seria Dorothy?) de uma maneira que ela nunca foi compreendida pelos outros seres mágicos, tudo em poucas horas (ou seriam meses? há certos momentos que o tempo parece dilatar e distorcer a realidade. Podemos chamar isso de mágica!). Tudo por que juntos eles experimentaram um mundo mágico (mágico e perfeito sim!) e caminharam juntos nessa aventura.

Alice, que podia ser Dorothy, mas que a cada dia se revelava surpreendemente mais interessante e com mais a se conhecer, mudou de tal forma os nossos persongens do início da história, que fez com eles entendessem um Jabberwocky de sentimentos e se transforma-se em uma só pessoa pessoa (embora digam que ele seja da nobreza, príncipe ou lord, afirmamos que não, pois esse tipo de coisa é muito clichê além de ser um pouco brega!)