João Tavares tem poucas alegrias na vida. Um homem simples que nunca desejou demais senão aquilo que todo mundo sempre acha que precisa pra ser feliz: um amor, um emprego e comida no prato.
Hoje João Tavares teve um bom dia. Trabalhou, comeu e ama. Teve boas notícias e riu bastante. João Tavares sai do escritório com a sensação de um dia bem resolvido, como num filme com final feliz.
Mas, diferentemente dos filmes, a história de João Tavares não pode acabar com uma cena de fim de dia. E é assim que João Tavares toma o rumo pra casa. No caminho, a intensidade do sol se compensava com o frescor da brisa e as pombas de rua eram para ele como pássaros dos desenhos da Disney.
João Tavares, entretanto não chega em casa a pé. Ele toma um ônibus, dois ônibus eee, opa, três onibus! Duas horas e meia mais tarde ele deseja não mais comida, amor e trabalho: ele deseja um banho e só! Mas quem disse que os adoráveis habitantes do lar dos Tavares o permitem tamanha regalia? Agora mesmo João Tavares se encaminha pra uma longa discussão: problemas inexistentes e pepinos que poderiam já ter se resolvido.
Se chegar em casa depois de um dia difícil é um fôlego para os bons, para João Tavares, chegar depois de um dia bom é asfixiante.
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Um comentário:
mas vc já parou pra pensar que se vc tivesse "numa classe zuada de avião" vc teria o mesmo problema quando chegasse em casa?
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